Alvaro Conde nasceu com o desejo de transpor às telas sua paixão pela natureza em toda a sua forma de criação para onde fosse possível representá-la. Seus coadjuvantes foram o pincel, o lápis e a espátula. Sua inspiração vinha de algo tão misterioso, místico e divino que ele tentava explicar com uma frase pouco compreendida. “Trago na alma um sentimento ativo, estranho, permanente e profundo que alimenta minha alegria de viver”. (Alvaro Conde)
Pintor, desenhista, escultor, cenógrafo e professor. Nasceu em 17 de março de 1898, em Tapuio, pequena comunidade do interior de São Mateus, município da região norte do Estado do Espírito Santo.
Aos 17 anos rabiscava, como ele mesmo dizia, uns dos seus primeiros trabalhos, “crayon “, que o zelo com que foi guardado driblou as marcas do tempo.
1917
1931
Seu pai, homem com tendência aos negócios do comércio, transfere-se para a comunidade do Porto, sede do município, onde junto ao trapiche local instala suas atividades. Em 1914, com 16 anos, acompanhando a família que busca ampliar as atividades comerciais, muda-se para Argolas, arrabalde do município de Vila Velha, de frente para a baía da cidade de Vitória. Surge com isto a oportunidade de ter contatos mais íntimos com escolas e intelectuais, coisa que não tivera em São Mateus.
Alvaro Conde em sua época de rapaz, já morando em Vitória. Ao fundo, no topo, a casa de seus pais em Argolas, Vila Velha, hoje conhecida como Chácara do Conde – Nov / 1926.
Alvaro Conde, com sua esposa Antonietta e seus filhos Romulo, Ronaldo, Renée e Reginaldo.
Em Vitória, conhece e estimula-se ainda mais na sua trajetória artística com o reconhecimento de sua arte interior por parte de Júlio Pinto de Almeida Brandão, pensador e mestre da época. Estuda na Escola Normal de Vitória e na Escola Aprendizes Artífices, onde em 1931, torna-se professor de Desenho Ornamental. Na década de 40 esta Escola passa a chamar-se Escola Técnica de Vitória, depois Escola Técnica Federal do Espírito Santo onde Alvaro Conde além de professor, ocupa também o cargo de Diretor. Em 1957, integra a banca examinadora do primeiro e segundo Concurso de Habilitação à Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Espírito Santo e em 1958, ministra curso de Metodologia de Desenho para o Ensino Industrial Básico, no Rio de Janeiro. Dentre as exposições das quais participa, destaca-se a do 9º Salão Paulista de Belas Artes, em 15 de julho de 1943, promovido pela Secretaria de Educação do Estado de São Paulo.
Foi neste evento, considerado um dos maiores acontecimentos de Apresentação da expressão artística brasileira que, mesmo não podendo comparecer para defender sua obra enviada, um óleo sobre tela, de título “Lenhadores do Mercado “, arranca do Júri de Premiação – Seção Pintura – o prêmio máximo das honrarias, a Menção Honrosa do Salão.
Embora comece a expor seus primeiros desenhos em Vitória, na década de 20, a carreira de artista plástico passa a ser notada no final dos anos 30, quando recebe, como prêmio, a medalha de ouro com a pintura “Praia do Suá”, no I Salão de Artes Capixabas, em Vitória (1938).
No mesmo ano (1938) pinta paisagens em Anchieta, a convite do Arcebispo D. Helvécio.
Em 1954 participa do 2° Salão Capixaba com 5 pinturas a óleo e realiza uma exposição individual na Associação Espírito-Santense de Imprensa – AEI numa trajetória de exposições que alcança o Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras cidades, mas foi em Vitória, que ele expunha anualmente suas telas.
“Alvaro Conde, recebendo o então governador do Estado, Jones dos Santos Neves e a primeira dama nos salões da Associação Espírito-Santense de Imprensa, em mais uma de suas exposições anuais em Vitória – set/1954”
Alvaro Conde não foi acadêmico nem cursou escola de pintura. Era um autodidata. Sua mestra e grande paixão foi a natureza. Com ela aprendeu a interagir, traduzindo seus ensinamentos em forma de imagem, coisa que retratava de pronto, pela ponta de um crayon, e em forma de croqui, para mais tarde aperfeiçoá-la em seu atelier de trabalho e aprisioná-la para sempre, em óleo sobre tela. Quando não dispunha de nada que pudesse gravar aquele momento, armazenava no seu espírito com todos os requintes e detalhes de traços e cores aquilo que tinha capturado da natureza pelo seu olhar apaixonado.
O olhar do artista e a natureza que ele tanto amava eram cúmplices o bastante para expressar, com suavidade, através de seu gesto com o pincel e os arranjos com as tintas, seu desejo de retratar sobretudo, paisagens capixabas.
Recriar a criação para representar em cores vivas, com perfeição, a obra do Criador. Essa parecia ser sua busca permanente.
Sua última foto, seu último trabalho: um Convento da Penha,
pintado em 1967, deixado pronto, mas ainda no cavalete.
Faleceu aos 70 anos, em 26 de maio de 1968, em Vitória, Espírito Santo.